Conto | Foi você

Antes de apresentar a última parte, essa criação textual, agora intitulada ‘Foi você’, ia ter os seguintes títulos:

Castigo do crime | Sem pecado, sem culpa | Ficção do real | Fake news 

Perfume amadeirado | Desejo coletivo | Metáfora do inexistente | Foi você, fui eu

 

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Conto | Foi você

Antes de apresentar a terceira parte, essa criação textual, agora intitulada ‘Foi você’, ia ter os seguintes títulos:

Castigo do crime | Sem pecado, sem culpa | Ficção do real | Fake news 

Perfume amadeirado | Desejo coletivo | Metáfora do inexistente | Foi você, fui eu

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Conto | Foi você

Desejar a morte de alguém, seja quem for, nunca será a melhor opção para a manutenção da civilidade. Pensando nisso, decidi dar vida a esses personagens complexos em suas relações e convívios sociais. Eles não existem no mesmo plano onde eu e você estamos, são ficcionais e reforçar isso é importante. Em quase oposição a essa perspectiva, o mundo real tem atravessado um momento complicado e devastador. A pandemia do coronavírus mudou a rotina de muitos seres humanos, alterou a rota de grande parte dos animais e até acordou vulcões adormecidos há anos. Mesmo com essas inúmeras mudanças, alguns personagens reais espalhados pelo globo optaram pela continuidade do habitual – maldade, egoísmo, psicopatia -, sem atentar para os malefícios disso sobrepostos à crise. Esses sujeitos poderosos, em diferentes níveis, acabam se tornando, incansavelmente, aliados desse vírus. ”E daí?”

O que resta para a massa consciente, verdadeiramente preocupada, é a revolta e a indignação contra esses que podem ajudar a salvar vidas mas, como projeto pessoal, optam pela morte. Nesse cenário há muitos culpados, nesse outro paralelo, apesar da brutalidade, não há.

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Somos uma aldeia

O que poderia ser mais letal que o governo Bolsonaro? O governo Bolsonaro sob efeito de uma pandemia. Coronavírus é o assunto do mundo e combatê-lo tem sido a principal política adotada pelos chefes de Estado. Alguns países estão fechando as fronteiras, outros sugerem isolamento compulsório e o Brasil adota medidas para punir aqueles que aproveitam o momento para fazer social e ir à praia. Por outro lado, numa ótica humanista e compreensiva, nossa pátria amada também acha decente aumentar o preço dos produtos relacionados ao combate do vírus. Não obstante, o presidente do país chancela manifestações pró-governo desrespeitando ordens médicas e instruções dos seus próprios ministros. Para ele, a covid-19 não passa de uma ‘histeria’ propagada pela mídia e que todo esse estrago é um plano maquiavélico do governo chinês. O que circula na internet é o boato de que ele testou negativo para a presidência.

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As férias acabaram e a praia não chorou

Os meses que a antecederam foram bastante cansativos. Desejá-la nunca foi tão importante. Ainda em novembro era possível sentir o cheiro dela. Os dias alongados, a falta do quê fazer e o bate papo furado na cozinha com a vó eram situações aguardadas. Enquanto passa na televisão o concerto Colour of Your Dreams, da Carole King, vai ficando mais claro que ela veio e se foi. Férias, estar contigo foi muito bom. Com você fiz vários nadas o que, na verdade, era o mais desejado da sua existência. Obrigado pelas horas bem dormidas, por me engordar uns quatro quilos, por me levar para uma turnê médica e, por conta disso, quase morrer psicologicamente. Mente vazia a oficina é de quem? Da falta da razão, claro! Agradeço, sinceramente, pelas ótimas leituras proporcionadas. Viajar, conhecer personalidades, se transportar para outro tempo e aprender novas histórias foi o máximo. É bem verdade que deitado se vai ao longe. E eu fui. Na padaria mesmo fui pouquíssimas vezes.

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Tirando o atraso literário

Em dezembro minha última pauta de rádio na faculdade teve a literatura como tema. Trouxe dados nacionais e misturei com as realidades daquele lugar no qual estou inserido. A fim de tornar a matéria mais dinâmica, propus uma enquete no Instagram perguntando aos meus seguidores quais foram os últimos livros lidos, se eles tinham o hábito de leitura e o motivo de não gostarem de ler. Um pouco parecido com o levantamento feito pelo Instituto Pró-Livro, em 2016, no questionário que fiz, 74% dos participantes informaram ter o hábito de leitura, enquanto 26% afirmou não ler absolutamente nada; 30% disse não ter tempo para o livro.

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Agora é para todos

Paraty, no litoral fluminense do Rio de Janeiro, se torna Patrimônio Mundial. A biodiversidade e os povos tradicionais foram critérios essenciais para o reconhecimento concedido pela Unesco

Quem nasce em Paraty é paratiense. Quem visita ou simplesmente conhece por fotos e vídeos é encantado. A cidade que fica a pouco menos de 300 km da capital carioca desperta atenção de todos que cruzam com ela. Paraty é trifurcação para lugares consideravelmente antagônicos em sua construção. Estando na entrada, bem no trevo de acesso à cidade, é possível enxergar nas sinalizações quais são esses destinos. Angra dos Reis, onde ficam as usinas Angra 1, 2 e 3, cidade mais desenvolvida economicamente e o paradeiro predileto dos famosos globais e internacionais. Cunha é um lugarejo frio, conhecido pelos rodeios e cheio de ladeiras e depressões geográficas, situado a leste de São Paulo, enquanto a outra paulista, Ubatuba, uma mistura das duas estâncias anteriores, é mais procurada por jovens e surfistas. Diferente das demais, a cidade histórica com cerca de 40 mil habitantes agora, mais do que nunca, é para todos. Desde julho desse ano, quando foi reconhecida como Patrimônio Mundial, numa cerimônia em Baku, no Azerbaijão, Paraty recebe nos seus limites territoriais gente ainda mais diversa: interessados em arquitetura e natureza, praieiros, pessoas de 15 a 90 anos, intelectuais e celebridades de toda ordem. Mas foram os povos tradicionais do município — 28 comunidades caiçaras, duas terras indígenas e duas comunidades quilombolas — juntamente a vasta biodiversidade, de quase 150 mil hectares preservada por esses cidadãos, os grandes responsáveis por catapultarem o conjunto de belezas ao estrelato.

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E sabe escrever?

De imediato, a resposta é sim. Publicitários sabem escrever. Pensar e defender o contrário disso é, no mínimo, um ato de ignorância de quem o faz. Tenho dois amigos publicitários e ambos escrevem muito bem. Uma, inclusive, me ajudou na escrita de um artigo e tem texto publicado em livro.

É preciso falar sobre interpretação, a chave que impediu o entendimento de alguns que compartilharam comigo a fatídica mesa sobre Jornalismo de Dados.

A pergunta que problematiza logo no título está associada a uma manifestação minha, feita durante um debate proposto pela universidade para pensarmos a respeito da pluralidade de informações que o jornalista pode lidar na atividade profissional a fim, claro, de enriquecer as matérias, dinamizar os temas e apurar os fatos. Até aí tudo bem! De fato, é preciso enxergar outras formas de alcançar novos públicos e tornar o jornalismo mais interessante e convidativo, mas não em detrimento do que está posto há milênios. Há, desde então, revisões e aprimoramentos para a área, e isso deve ser tratado dentro do próprio fazer jornalístico, dia após dia, de tempos em tempos. O Messias para os problemas do Jornalismo não deve ser a Publicidade e Propaganda.

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Jornalismo, Moda e Comunicação

É recorrente nas redações e meios de comunicação o pensamento que aponta o jornalismo de moda como sendo um subcampo do jornalismo tradicional, um setor renegado a editoria e desmerecido, ocasionalmente, por companheiros da profissão que atuam em outras especialidades. Os motivos são diversos: se imagina que o jornalista de moda não trabalha pesado, que o objeto de trabalho é de pouca importância para o grande público e que eles não lidam com ‘’pauta quente’’, aquela que demanda certa urgência na apuração e publicação. No campo mais amplo dessa discussão está parte da sociedade munida, igualmente, de discursos que segregam os sentidos da moda. Muitos não enxergam a pluralidade e os efeitos que a moda reflete no campo prático do cotidiano — seja por falta de interesse, seja por não perceber nesse objeto riqueza de valores.

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